Santa Catarina não receberá os royalties pela exploração das jazidas de
Tiro e Sídon, na Bacia de Santos, pertencentes ao litoral de São Paulo.
Porém, a área está apenas a 210 quilômetros de Itajaí.
Mesmo no
litoral paulista, o primeiro óleo extraído das jazidas de pré-sal foi
apresentado nesta segunda-feira na cidade catarinense, quando a
Petrobras anunciou o início dos testes de longa duração nas áreas que
produzirão inicialmente 10 mil barris de petróleo por dia.
Pela
atual demarcação, Tiro e Sídon pertencem ao estado de São Paulo e formam
um triângulo de 210 quilômetros cada lado com Itajaí e Ilha Comprida,
no Litoral Sul paulista. De acordo com o presidente da Petrobras, José
Sergio Gabrielli, apesar dos royalties não virem para cá, o início dos
testes aumentam as possibilidades de expansão econômica para Itajaí e
Santa Catarina.
— Há possibilidades de reativação da unidade da
Petrobras em Itajaí, mas isso dependerá do volume de
exploração na região.
Nova
plataforma
Uma plataforma semi-submersível, a SS-11
Atlantic Zephyr, foi batizada nesta segunda de manhã. A estrutura é
composta ainda por um navio de exploração que armazenará o petróleo por
15 a 20 dias. Depois, o líquido é transferido a um navio cargueiro e
distribuído ao mercado.
Pela facilidade geográfica e estrutural,
Itajaí irá centralizar as operações de exploração das jazidas de Tiro e
Sídon. Para o prefeito Jandir Bellini (PP), isso reforça a possibilidade
da cidade voltar a receber uma unidade da Petrobras.
— Queremos
ser cidade sede e parceira na pesquisa, produção e negócios que
envolvam essa grande empresa brasileira — destacou Bellini.
Guilherme
Estrella, diretor de Exploração e Produção da Petrobras, afirma que as
áreas estão em águas rasas, no pós-sal, e em baixa profundidade, o que
facilita a atividade de produção e exploração.
— Trata-se de um
óleo de
excelente qualidade, superior ao encontrado em grandes campos de
petróleo.
Discussão antiga
O debate atual
traz à tona uma antiga discussão sobre a distribuição dos royalties do
petróleo no Estado.
Durante anos, a exploração do Campo de
Caravela, a 180 quilômetros da costa de Itajaí, que atualmente nem
produz mais, não rendeu royalties para Santa Catarina por conta do
traçado das linhas de projeção das divisas marítimas entre estados.
A
determinação do traçado, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), provocou uma briga judicial que arrasta-se desde
1991. A disputa pelo direito aos royalties de Caravela teve início no
final da década de 80, quando a Fundação IBGE redefiniu as linhas do
limite marítimo do Paraná.
A decisão fez com que a área sob
domínio paranaense invadisse parte das águas de Santa Catarina. Desde
então, todos os royalties do Campo de Caravela foram repassados ao
Paraná.
A Procuradoria
Geral do Estado ingressou na Justiça contra a Fundação IBGE por
considerar que, à
revelia do critério legal utilizado para todos os demais estados, na
costa entre SC e PR, o instituto traçou uma reta ligando os extremos das
dividas Santa Catarina/Paraná e Paraná/São Paulo.
O IBGE
localizou o ponto médio e traçou uma reta perpendicular até as 200
milhas, formando um triângulo e deixando os campos petrolíferos na área
paranaense.
O Estado de Santa Catarina pleiteou, então, em 1987, a
revisão do critério utilizado. O IBGE manteve os limites questionados
como estavam. Sem acordo, o Estado ajuizou uma ação de retificação de
demarcação do limite interestadual marítimo entre SC e PR contra a
Fundação IBGE, em outubro de 1991, que nunca deu em nada.
Após a
descoberta da Petrobras da megajazida do pré-sal entre os estados de
Santa Catarina e Espírito Santo, e com toda a polêmica que envolve a
questão para os próximos anos, a antiga discussão foi retomada.
O
processo, que tem como réu o IBGE e como co-réu o
Paraná, é tão longo que já é contabilizado em
metros: são cerca de 780 em mais de 2,5 mil folhas. Por enquanto, todos
os direitos aos royalties seguem com o Paraná. |