O Ministério Público Federal (MPF) está de olho no níveis de benzeno presente em algumas marcas de refrigerante.
Ontem,
o órgão anunciou que vai determinar a realização de novos testes que
confirmem – ou não – as conclusões de um trabalho realizado pela Pro
Teste-Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.
O benzeno é
resultado da reação dos ácidos benzoico e ascórbico (vitamina C) e está
relacionado ao desenvolvimento de câncer. A substância foi encontrada
em sete dos 24 produtos testados. Dois deles – Sukita Zero e Fanta
Laranja Light – apresentaram concentrações acima dos limites aceitáveis
para serem considerados próprias para consumo. A solicitação será
assinada pelo procurador da República em Minas Gerais Fernando de
Almeida Martins
– Atuaremos para que refrigerantes com níveis
altos de benzeno não estejam mais no mercado. Não aguardaremos a Anvisa
ou o Ministério da Agricultura, que poderão ter iniciativas paralelas –
explica Martins.
Além da Sukita Zero e da Fanta Laranja Light,
apresentaram benzeno as bebidas Fanta Laranja, Sprite Zero, Sukita,
Dolly Guaraná e Dolly Guaraná Diet. A Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) – que libera o uso de ácido benzoico em até 0,05 g
por 100 ml –, o ministério e as empresas Coca-Cola, Ambev e Dolly foram
notificados para prestar esclarecimentos.
Todos
também deverão prestar informações sobre a presença de corantes
artificiais como o amarelo-tartrazina, relacionado a alergias, e o
amarelo-crepúsculo, ligado a hiperatividade em crianças. Ambos são
permitidos no Brasil em pequenas quantidades, mas já foram proibidos em
outros países. ZERO HORA| Os efeitos | | -
Estudos mostram que o benzeno é um agente químico perigoso, que pode
fazer com que aumentem os riscos de leucemia, doença caracterizada pela
desmedida proliferação de glóbulos brancos do sangue, e de outras
doenças sanguíneas. |
| Contrapontos | | O que diz a Coca-Cola | | A
Coca-Cola afirmou que age dentro da legalidade e que uma quantidade
mínima da substância é proveniente de alimentos. “A presença eventual
de benzeno em bebidas e alimentos pode ocorrer em níveis muito baixos”,
diz a empresa, e “não representa uma fonte significativa que possa
afetar a saúde”. Já os corantes estariam devidamente informados na
rotulagem dos produtos. | | O que diz a Ambev | | A
Ambev, que produz a Sukita, afirma que não teve acesso à pesquisa e
portanto não pode comentá-la. “A companhia reforça, no entanto, que
trabalha sob os mais rígidos padrões de qualidade e em total
atendimento à legislação brasileira”, diz a empresa em nota. | | O que diz a Dolly | | Procurada pela reportagem da Agência Folha, a Dolly não se manifestou. |
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