Com a lista de indicados ao Oscar de melhor filme aumentada de cinco
para 10 concorrentes – novidade que divide opiniões entre os que acham
que assim diminui-se o risco de injustiças quando a safra é boa e os
que acreditam que sempre pode-se contar numa mão os grandes títulos da
temporada –, parece agora mais fácil especular quais serão as presenças
certas na grande festa do cinema, marcada para 7 de março, em Los
Angeles. E entre esses que despontam com lugar assegurado na cerimônia,
inclusive com previsão de conquistar os principais prêmios, está o
musical Nine.
O filme estreia nos EUA em 18 de dezembro (15 de
janeiro no Brasil) sob grande expectativa – críticos que o assistiram
em sessões privadas, mesmo com o comprometimento de não publicar
resenhas até próximo do lançamento, não contiveram seu entusiasmo.
Observando-se o DNA de Nine e a lista de nomes envolvidos no projeto, é
difícil não colocar sobre ele um punhado de fichas nas apostas do Oscar
2010. Dirigido por Rob Marshall, do oscarizado musical Chicago (2002),
Nine adapta o sucesso da Broadway homônimo, encenado pela primeira vez
em 1982 e por sua vez inspirado no clássico do cinema 8 1/2, de
Federico Fellini.
O
elenco impressiona por reunir um estelar time de ganhadores da
estatueta: Daniel Day-Lewis (com Meu Pé Esquerdo e Sangue Negro),
Nicole Kidman (As Horas), Marion Cotillard (Piaf), a veterana Sophia
Loren (Duas Mulheres), Judi Dench (Shakespeare Apaixonado, como
coadjuvante) e Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona, como
coadjuvante). Day-Lewis revive o cineasta em crise existencial Guido,
imortalizado no cinema por Marcello Mastroianni – Javier Bardem estava
escalado para o papel, mas desistiu alegando estafa.
A lista dos
indicados ao Oscar será anunciada no dia 2 de fevereiro. Nine deve
entrar na briga acompanhado do sempre vigoroso Clint Eastwood, agora só
como diretor, à frente de Invictus, sobre o primeiro ano de Nelson
Mandela (Morgan Freeman) no governo da África do Sul pós-apartheid.
Entre outros filmes ainda inéditos no Brasil, figuram como fortes
candidatos os novos trabalhos de cineastas que contam com a simpatia da
Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, como Um
Homem Sério, dos irmãos Coen, e Away We Go, de Sam Mendes.
James
Cameron, ganhador de 11 Oscar com Titanic (1997), está de volta em
grande estilo à frente da superprodução de ficção científica Avatar.
Mas este é um gênero que não costuma ter muito reconhecimento no Oscar
fora das categorias técnicas. Porém, nesse novo clube VIP com 10
integrantes, com o qual a Academia pode rever suas reservas em relação
aos blockbusters que alimentam Hollywood, Cameron tem boa chance de
ganhar lugar na mesa principal. |