O Banco do Brasil fechará 68 agências do Besc em Santa Catarina. A
medida afetará cidades pequenas, onde há agências de ambos os bancos. A
ação faz parte de um plano de reestruturação que integra as agências
nesses municípios.
Lauro Müller, Armazém, Jacinto Machado,
Erval Velho e Antônio Carlos são as cidades divulgadas até agora que
passarão pela mudança. Nesta terça-feira deve ser informada a lista
completa.
O superintendente estadual do BB, José Carlos Reis
da Silva, explica que a integração se justifica em municípios menores,
onde há dois contingentes de pessoal trabalhando nos setores
administrativos, com deficiência no atendimento dos clientes.
—
Vamos deslocar este pessoal da administração para atender o público.
Nosso objetivo é melhorar o atendimento e modernizar as agências. Tanto
que nas agências pioneiras, onde há apenas dois funcionários, vamos
colocar mais colaboradores para oferecer também crédito rural, o que
antes não ocorria — diz.
Silva ressalta que, num primeiro momento, os
funcionários das duas agências integradas ficarão trabalhando no local
unificado. E somente depois ocorrerá o remanejamento de pessoal dentro
do Estado.
—
Quero tranquilizar os funcionários e antecipar que o BB não pretende
fazer transferências compulsórias, nem demitir pessoal. Nossa
preocupação é garantir melhor atendimento e para isso temos um plano
com várias ações — afirma.
Sindicato quer evitar as transferências
O
Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região foi chamado para uma
reunião com o BB, na quarta-feira, para a apresentação do plano de
reestruturação. Mas já está a par do fechamento das agências porque
funcionários de Erval Velho denunciaram a movimentação aos
sindicalistas.
A agência tem até data para fechar: 23 de
novembro, segundo o dirigente sindical Milano Cardoso Cavalcante. Ele
explica que o sindicato vai se mobilizar junto ao governo do Estado e
às prefeituras dos municípios atingidos para conseguir adesão na briga
pela permanência das agências do Besc.
—
Nossa preocupação é com os clientes e funcionários. Legalmente, a gente
sabe que é difícil impedir, mas vamos tentar minimizar os impactos para
a sociedade — afirma.
Marca Besc não deve resistir
Cavalcante
ressalta que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) não permite a
transferência compulsória que provoque mudança de domicílio. E antecipa
que o sindicato vai ingressar com liminares se o BB tentar impor
transferências aos funcionários.
— Isso já ocorreu na Caixa
Econômica Federal, quando queriam forçar a demissão, e na época os
sindicatos venceram 90% das liminares. Nós vamos resistir para
conservar o que foi assinado no contrato, que assegura a manutenção da
marca Besc — alerta.
Historicamente, todos os bancos estaduais
privatizados ou federalizados no Brasil perderam suas marcas (Banespa,
Banestado, Banerj, etc). Segundo o professor de Economia da Faculdades
Integradas Rio Branco Douglas Renato Pinheiro, especializado em fusões,
normalmente as marcas não resistem.
—
As marcas duram, no máximo, quatro, cinco anos. A marca do Unibanco,
por exemplo, deixará de existir no ano que vem. É uma tendência natural
de mercado — diz. |